quarta-feira, 3 de agosto de 2016

NISA: Record nacional a tocar bateria

Joaquim Galhardo cumpriu sonho antigo.
Joaquim Galhardo tinha um sonho, antigo, que acabou de transformar em realidade, a toque de bateria. Entre as 15 horas de sábado e as 15 horas de domingo, deu um autêntico festival de bateria e de resistência, ao tocar durante 24 horas no palco do Cine Teatro de Nisa, ultrapassando em oito (8) horas o anterior máximo português registado com 16 horas.
A iniciativa integrava o programa de comemorações dos 10 anos da Inijovem e a prestação do jovem baterista nisense, a todos os títulos excepcional, transmitiu à festa da Inijovem uma maior alegria e brilhantismo.
Joaquim Fernando Temudo Granchinho Galhardo tem 30 anos e trabalha na administração local. Desde os 14 anos que se entrega a um dos seus maiores prazeres, quando conseguiu, através de poupanças, comprar a primeira bateria. Um gosto e um jeito que lhe vem de pequenino, dos tempos em que qualquer lata de tinta ou caixa de cartão, lhe serviam para improvisar batidas e sons.O apelo da música era constante e sem surpresa viu-se a aprender solfejo na Escola da Banda de Nisa. Mas foi sol de pouca dura, pois o que queria mesmo era tocar, tocar bateria, instrumento a que na Banda não podia chegar por não ser ainda instrumentista.Em casa, sempre que podia e os ouvidos dos familiares e vizinhos suportavam, ia fazendo aquilo que mais gostava e a entrada para o primeiro conjunto musical, o Nova Estrela, deu-se com apenas 15 anos. Ligou-se ao Feed Back, ajudando na instalação de material, nos bailes e concertos, tudo para estar próximo do seu instrumento de culto, a bateria. O grupo Fogo Posto foi o passo seguinte e tocaram algumas vezes no celeiro da EPAC, para desconforto da vizinhança, “que protestava sempre por causa do barulho”, antes de chegar aos Xaga, grupo a que empresta o seu vigor e determinação como baterista, desde 2005.
As actuações em bailes e a animação de bares têm servido para Joaquim Galhardo ir testando as suas capacidades físicas e psicológicas, antes de se lançar numa aventura e projecto maior: tocar bateria durante mais de 16 horas consecutivas. É este o record português e o músico nisense traçou como objectivo chegar às 24 horas a tocar, consecutivamente. A grande prova, passou-a, com distinção, no passado fim-de-semana, no palco no Cine Teatro de Nisa. Apoiado por muitos amigos, músicos e pelas pessoas que durante as 24 horas foram passando pela sala de espectáculos, dirigindo-lhe palavras de apoio e incitamento, o Joaquim Galhardo concluiu a “Maratona de Bateria”, num final apoteótico, com o público de pé, a tributar-lhe uma impressionante ovação que se prolongou durante vários minutos.Cansado e comovido, o novo recordista nacional, a tocar bateria, a todos agradeceu. Para trás ficavam 24 horas de batidas e os ritmos musicais, de todos os tipos, com que os amigos contribuíram para dar asas ao sonho. Foi uma prova de grande resistência, física e psicológica que o Joaquim ultrapassou com galhardia.Num curto espaço de tempo, Nisa ganhou um campeão nacional de corta-mato e passou a ter um recordista nacional a tocar bateria.
Digam lá, agora, que os alentejanos é que são lentos...
Mário Mendes – 28/5/2007

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

MEMÓRIA(S) DE NISA: As Sortes

Há muita variação de “sortes”, mas aquela a que me refiro, não é a parcela de terreno que herdámos dos nossos pais., ou aquelas que possuímos após termos ganho na lotaria. Falo das “sortes”, desse acto em que todos os jovens noutros tempos eram obrigados a participar: a chamada “inspecção militar”.
As sortes realizavam-se todos os anos, na sede do concelho, feita por meia dúzia de oficiais do Exército, que já nessa altura e para impressionar, nos falavam asperamente, ao bom estilo da filosofia da tropa.
Ainda me lembro bem, foi num dia de Verão, em que parte da rapaziada descobriu o seu corpo pela primeira vez, admirando ou gesticulando este ou aquele que possuíam marcas de  nascença.
Os nossos pais e noivas aguardavam-nos, silenciosos, no Largo do Município, para nos felicitarem ou chorarem a nossa “sorte”. Havia a guerra do Ultramar e a fita vermelha na lapela do casado significava “Apurado” para todo o serviço militar e depois, geralmente, a mobilização para as colónias.
Quase todos ficavam “apurados” nesse tempo. Os nossos pais, à guisa de consolação, diziam-nos: “deixa lá, filho, a tropa fará de ti um homem!”.
Alguns, poucos, saíam de fita branca. Ficavam “livres” do serviço militar. Outros, ainda, com a fita verde, ficavam a aguardar, de “espera”, ou por nova inspecção ou que a situação se resolvesse.
As “sortes” eram, apesar de tudo, uma festa. A Nisa chegava a rapaziada de todo o concelho, em grupos, com um tocador de concertina à frente, seguido da malta com fitas garridas e pandeiretas. Percorriam as ruas da vila, entravam nas tabernas, cantavam e dançavam com uma tal alegria que não adivinhava as horas de incerteza, de perigo e de sofrimento que a muitos aguardava.
A rapaziada de Montalvão, todos de lenço ao pescoço, uniram-se a nós, talvez por serem os mais amigos e juntos fizemos o percurso habitual dando vivas e gritos de contentamento, próprios da juventude.
À noite era o “Baile das Sortes” e a primeira dança era reservada apenas aos “sorteados”. O palco deste acontecimento era a sala ou o quintal do “Benfica”, sempre cheio e a transbordar de gente. Para alguns começava, nessa noite, a sua vida sentimental e aguardavam ali o “Sim ou o “Não” do seu bem-amado, pois havia o uso e o costume de as raparigas começarem a namorar a partir desse dia.
Hoje tudo parece ter mudado e já não se vê a concertina a tocar pelas ruas e a rapaziada também já não vão à tropa. Os nossos pais, esses, deixaram de chorar a nossa “sorte”, a par das raparigas, que agora são elas a pedir namoro aos rapazes.
Recordações de um tempo, de mocidade e em que a juventude dava largas à sua alegria.
António Conicha – Cantinho do Emigrante – Jornal de Nisa – nº 30 – 31 Março de 1999

MEMÓRIA: Vultos da História Nisense (1)

Álvaro Semedo e a projecção internacional do seu papel na História
Não pouco literatos, bibliógrafos e bibliófilos, apaixonados pela História, conhecem o nome de Álvaro Semedo, no todo do seu exemplo e da sua obra. Porém, nunca será demasiado relembrá-lo sugestivamente aos que o leram e ensiná-los ou ajudá-los a fixar àqueles que, por mercê de constantes e inúmeros afazeres quotidianos, não possam dedicar-se à benéfica e curiosa interpretação da sua eminente figura de alentejano.
Ela emerge da planura morna e projecta-se gigantescamente para além dos confins dos povos... Aí se forma e avoluma, antes que o significado indelével do seu exemplo seja laureado e conhecido pela Europa inteira.
A sua obra de homem de Letras é imperecível e ímpar na originalidade; o seu proceder e conduta de ministro de Deus e da Igreja é dignificante e sublime, num símbolo raro de dedicação à humanidade.
Álvaro Semedo nascera em Nisa, no decorrer do ano de 1585. Filho de Fernão Gomes e Leonor Vaz, ambos descendentes de famílias abastadas desta vila, cedo o seu espírito acordou para as Letras, começando, ainda adolescente, a dedicar-se à leitura e investigação de alfarrábios e manuscritos. Resolvera, depois, professar na Companhia de Jesus. Inscrevera-se no Colégio de Évora, a 30 de Abril de 1602. Distinguindo-se, mais tarde, como óptimo aluno de filosofia e humanidades, merecera a simpatia e a amizade pessoal do reitor, o qual, cedendo aos seus rogos, o deixara partir com alguns missionários que se dirigiam ao Oriente.
Chegado à Índia, matriculou-se no Colégio da Ordem, onde se ordenou sacerdote. Pouco depois, penetrava na China e aí começou a desenvolver toda a sua obra no sentido da propagação da Fé e, ao mesmo tempo, na concepção de fazer chegar aos povos distantes da civilizada Europa, a história, os costumes de tão remotas e ignotas gentes.
Para isso, entabulou conhecimentos e tratou piedosamente com o gentio, no fim único de o imiscuir adentro da civilização e do cristianismo, suportando torturas sem nome na revolta de Nanquim (1617) e sendo escorraçado para Macau. Todavia, a China misteriosa e o negrume da sua história quase legendária eram o seu sonho e a sua vida. Regressando à cidade de Nanquim e voltando aos deveres de missionário, empreendeu uma série de estudos sobre a monarquia chinesa. Daí proveio o célebre livro de sua autoria Relação da Grande Monarquia da China com edição esgotada e muito raro. (1)
Foi traduzido para o espanhol por Manuel de Faria e Sousa, com o título de Império de la China y cultura evangélica en el por los religiosos de la Companhia de Jesus, sacado de las noticias del padre Álvaro Semedo; para italiano, por Hermano Scheus (1643); para francês por Luís Cullon (1655), e ainda para inglês. Porém, a sua obra literária não compreende apenas esta, de renome internacional.
Existe outro seu volume – Cartas Anuais – aonde o autor relata, em primoroso estilo epistolar, o evoluir progressivo das Missões na China e alguns factos com elas relacionados. Publicaram-se ainda, também de sua autoria, dois dicionários incompletos – Dicionário Sínico Lusitano e Lusitano Sínico – porquanto a morte o surpreendeu, antes de devidamente coligidos e completados.
No apogeu de carreira brilhante, foi Álvaro Semedo chamado a Portugal pela Companhia de Jesus que o nomeou procurador a Roma. Desempenhando-se digna e sapientemente da sua missão era, mais tarde, nomeado provincial e visitador das Missões na China.
Aí morreu aos 6 de Maio do ano de 1658. (2)
Carlos Franco Figueiredo in Revista Alentejana –nº 270 – Out. 1959
NOTAS
(1) - ...O manuscrito de Álvaro Semedo, concluído em 1637, conheceu a primeira edição em castelhano (1642), várias edições em italiano (1643, 1653, 1667 e 1678) em inglês (1655), em francês (1645, 1667) e em holandês (1670). Provavelmente existirão edições noutras línguas. Em português, só em 1956, e por iniciativa de Luis Gonzaga Gomes. Porém, em 1731, dera ao prelo, em jeito de descargo de consciência, uma edição sintética da obra da responsabilidade de Manoel de Faria e Sousa. Registe-se aquilo que os ingleses sublinham logo após o título da obra de Semedo: «História da Grande e Reputada Monarquia da China... escrita em italiano por F. Alvarez Semedo, um português.... traduzida agora para inglês, por pessoa competente,.... com o objectivo de satisfazer os curiosos e engrandecer o comércio da Grã Bretanha». Sempre presente, o conhecido pragmatismo britânico.
Joaquim Magalhães de Castro in "O Clarim" - 27/6/08
(2) - A Câmara Municipal de Nisa, na reunião de 7 de Junho de 2006 aprovou por unanimidade a atribuição do nome do Padre Álvaro Semedo à (ainda) actual Zona F do Bairro da Cevadeira.
Tarda a perpetuar com a honra e o brio que merece, o nome de Álvaro Semedo na toponímia de Nisa. Para que não restem dúvidas transcrevemos a parte da acta referente ao ilustre nisense:
Acta 12 – Reunião de 7 de Junho de 2006
Relativamente ao assunto a que acima se faz referência, tendo em conta o número de novas edificações erigidas, bem como a criação de algumas urbanizações, tanto em Nisa como um pouco por todo o concelho e tendo-se a consciência que é necessário disciplinar a toponímia e conforme conteúdo da Informação/ Proposta Nº 145/06, datada do dia 8 de Março do ano em urso, da Divisão de Projectos e Urbanismo, cuja cópia fica arquivada em pasta anexa à presente acta, a Câmara reunida aprova, por unanimidade e após pareceres das respectivas Juntas de Freguesia, a atribuição de nomes e numeração de polícia às ruas, largos, praças e urbanizações das localidades a seguir indicadas:
(...) Na Urbanização da Cevadeira (...) à actual Zona F, será atribuído o nome de “Rua Padre Álvaro Semedo”.
Seis anos passados esta deliberação e muitas outras referentes a nomes de ruas estão por cumprir. Até quando?
Mário Mendes (1 Dez. 2012)

sexta-feira, 29 de julho de 2016

OPINIÃO: A inigualável gente da minha terra

ADENTRANDO O DIA DE TODOS OS SANTOS… ESTA INIGUALÁVEL, QUERIDA GENTE DA MINHA TERRA, CUJO EXEMPLO DE VIDA NÃO PODEMOS IGNORAR…
A MINHA VIZINHA MARIA DA SILVA ERA UMA HEROÍNA. TENHO POR CERTO QUE NO LADO DE LÁ SERÁ RECOMPENSADA. A ANA MARIA, A MAIS PEQUENINA DAS SUAS DUAS FILHAS COM A ISABEL… A NOTÍCIA POSTERIOR DO TEU DESENLACE FÍSICO... MINHA QUERIDA AMIGA AMARGUROU-ME, PELO SOFRIMENTO POR QUE PASSASTE E POR NÃO TE TER PODIDO ACOMPANHAR …ESTAR…
QUANTO TE ESTIMO ...QUANTO TE ADMIRO... COMO ADMIRAVA O TEU EXEMPLO DE VIDA!…O TEU SOFRIMENTO FÍSICO…TANTO SOFRIMENTO … SENHOR... SENHORA DA GRAÇA!
Ao tempo a minha casa, naquele período ante Páscoa, adentrava uma costureira amiga, dedicada e competente, levada pela Vizinha Maria da Silva, uma óptima pessoa e costureira que executava tudo na perfeição, que preparava os vestidos de anjo das meninas para a Procissão dos Passos, e outro vestuário.
A  vizinha Maria não tinha ainda realizado as obras que se seguiram.
Reinava a alegria na minha casa. Minha mãe não migava sopas….Vizinha Maria Augusta! Tem lá a sua máquina ou leva-se lá a minha? A minha casa com o negócio não convém.
Vizinha  Maria Augusta o que é que diz? Maria, isso é problema?
Aliás não  era preciso pedir a minha mãe, tudo o que a vizinha Maria decidia estava bem decidido e não se fala mais nisso. A vizinha era um impulso da natureza e planificava coisas com o maior à vontade de gestão.
A vizinha Maria era como se fosse da casa e o vai-vem das meninas era uma festa. Contínua.
A vizinha Maria era um ser magnífico. Se jogasse futebol dir-se-ia um falso lento.
Como a sua vida era pesadíssima, esses momentos de aparente paragem serviam –lhe para racionalizar estratégias e acções, traçar objectivos que ia discernindo.
Em minha casa era  tudo… gozava, privilegiava a nossa total familiaridade, as portas estavam – lhe totalmente abertas e sem qualquer reserva.
Nesse período reinava a alegria, a Ana Maria e a Isabel entravam e saíam e tudo eram risos com as suas presenças constantes.
A Ana  Maria a pronunciar Vião em vez de João, e outras palavras engraçadas. A vizinha Maria era acolhida por minha mãe com o maior dos carinhos, e quando o Senhor António infelizmente partiu tão cedo minha mãe temeu pela sua depressão, não a largou e reergueu-a… Maria, não te isoles nessa tristeza! Tu és tão corajosa… A vida continua, olha  as tuas filhas tão lindas, anda lá…vamos lá.!
E assim foi! …
E renasce uma pessoa invulgarmente trabalhadora, mãe de filhas tão lindas, em grande plano na luta pela vida..
Exemplo para nós….A vizinha Maria, como dito em título, era uma heroína … e as suas filhas valores fora do comum com alto sentido de responsabilidade.
As visitas constantes do Senhor Domingos e da avó das meninas, uma senhora muito calma, sublimavam a falta do Senhor António… A vizinha Maria e a nossa querida Ana Maria foram da maior caridade e desvelo para minha  mãe, apesar dos seus afazeres, ultrapassando critérios gerais de bondade, igualmente para mim, a maior paz e o seu repouso eterno.
Donde… moro sem casa em Nisa. Nisa e sua gente moram no meu coração, o meu coração é a  minha terra, a nossa gente na sua bondade sem limites, gente de paz, de misericórdia, de perdão, que Nossa Senhora  da Graça gravou em nós para sempre  .
De gente tão boa como a Maria Diniz. Os desenhos dos bordados da minha avó Josefa vou levar-tos como prenda e homenagem à beleza da tua arte, à beleza da tua bondade, do teu ser magnífico de mulher de Nisa, e tu que cantas tão bem  fazes tanta falta com o teu enorme valor  no coro da paróquia… Como a Senhora da Graça me parece confidenciar com o seu largo sorriso. Fazia-te tão bem…Serias ainda mais feliz!...
Porque não?
A  amizade certa do João Castanho

14 de novembro de 2013

NISA: Memória Histórica

ROUBO DE MEL
Câmara Municipal - Correspondência expedida – Anno de 1905
12/4/1905 - Carta ao Juiz
Hontem, o regedor da freguesia de São Matias, d´este concelho, apresentou-me sobre prisão Manoel Simplício *, solteiro, filho de Álvaro Dias *, do Monte da Velada, por ter sido encontrado, hontem, por 10 horas da manhã, no sítio do carqueijal, a roubar o mel de uma colmeia, pertencente a Francisco Toco, morador no Monte do Cacheiro, sede da referida freguesia.
E ainda mais por se lhe attribuir cumplicidade na deterioração de 30 colmeias, de differentes indivíduos, desde o ultimo Entrudo até ao presente.
Deu hontem entrada na cadeia, aonde ficou à disposição de Vª Exª. São testemunhas da occorrencia João Thomaz, moleiro, casado, António Freire, solteiro, ambos moradores no Monte da Velada da já dita freguesia.
O Administrador do concelho – Joaquim Lopes Subtil
* Estes nomes foram alterados para preservação da identidade e memória dos visados
AS VARAS DO PÁLIO - Sessão de 20 de Março de 1877
Também deliberou a Câmara que estando próximo o dia de Páscoa se devião convidar os cidadãos que havião de levar as varas do Palio e a Câmara deliberou convidar os seguintes:
Dr. António Diniz Vieira, Dr. José da Graça Pereira Roza, Dr. Balthazar Mouzinho de Vasconcellos Almadanim, António Maria Caldeira Tonilhas, José Pedro Pestana Goulão, e finalmente José Maria Diniz Vieira, e que destas nomiações se fizessem os competentes convites com a necessária antecipação.
ILUMINAÇÃO PÚBLICA - Sessão camarária de 27/2/1877 
Mais deliberou a Câmara que visto já terem chegado seis candieiros para a illuminação desta villa, se colocassem um na esquina da caza de Vicente José Berço na Rua das Adegas, outro na esquina da caza de José Maria Deniz Sampaio; outro na esquina da estalagem de Dona Antónia; outro no fim da caza onde vive o escrivão de Fazenda, junto à caza de Joaquim Carita Themudo no Terreiro; outro à quina da casa onde vive Joaquim Coelho e outro finalmente à esquina da caza onde vive o serralheiro para o lado da rua do Mourato.

NOVO CÔNSUL HONORÁRIO DE TOURS É DE NISA

Uma honra para toda a Comunidade Nisense
Ilídio Luís Balonas Palheta, natural de Nisa, tomou posse no passado dia 2, como novo Cônsul Honorário de Tours.
A nomeação para o cargo foi proposta pelo Embaixador de Portugal em Paris, António Monteiro que teve em conta o percurso profissional de Luís Palheta, que o diplomata considerou "exemplar".
Ilídio Palheta, ainda criança, emigrou para França com os pais e irmãos, na década de 60 do século passado. Em França e após concluir a instrução primária, trabalhou na construção civil e aos 18 anos emigrou para os EUA, onde esteve durante cinco anos, vivendo algum tempo também no Canadá.
Regressou a França em 1979 e retomou os estudos, primeiro em Contabilidade e depois em Direito, tendo concluído o curso em 1988 na Universidade de Poitiers.
Exerce a advocacia desde 1989, primeiro como estagiário, durante dois anos, depois como profissional independente, situação que alterou em 2006 quando iniciou a colaboração com dois sócios e três colaboradores.
Especializado em Direito do Trabalho, área em que a sua actividade em toda a Touraine é mais conhecida, Ilídio Palheta é também professor na Universidade de Tours no Institute d´Administration des Entreprises, ao nível do Master.
Ilídio Palheta, acaba de ser escolhido pelas autoridades diplomáticas, para representar Portugal na região de Tours, no centro de França. A distinção como Cônsul Honorário, sendo um sinal de reconhecimento pelo prestígio que alcançou, representa, também, uma honra para toda a comunidade nisense espalhada por França e para a sua Nisa, a terra onde nasceu e que, não lhe tendo oferecido grande coisa, despertou nele o instinto e a vontade, indomável, de lutar, aprender e chegar mais longe.
Notícia completa no Jornal de Nisa - nº257

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Pelourinho de Nisa - História com final (quase) feliz



Foi há 40 anos. O Pelourinho de Nisa voltava ao lugar de onde tinha sido apeado no séc. XIX. Culminava assim uma longa história e caminho percorrido, cheio de discursos de intenções, até então não concretizados. Antes disso, o "corpo" do monumento, fragmentado, andou pelas arrecadações da Câmara e a coluna principal, erguida num dos extremos do jardim, foi servindo como apoio aos cartazes de cinema e de outros espectáculos.
Em 1968, a Câmara presidida por João Gouveia Tello Gonçalves, concretizava, finalmente, não só a reposição do pelourinho no lugar a que tinha direito, como o arranjo da "Praça".
As laranjeiras e os bancos de pedra vieram depois. O espaço em redor do monumento foi ajardinado e tudo parecia em ordem e harmonia. Até que... (foi você que pediu um arquitecto-paisagista?) alguém, insensível, se lembrou de colocar duas "sentinelas" a guardarem o pelourinho, não vá ele fugir. Dois "arbustos", dizem, que, transformados em árvores - que ninguém, ainda, teve o dever e a coragem de mandar cortar - escondem, roubam a dignidade a uma peça escultórica e histórica que dá razão e sentido ao edifício que lhe fica defronte.
É a segunda "morte" do Pelourinho de Nisa. Fantasmas que, estou certo, alguém de boa fé e inteligência há-de, brevemente, colocar no seu devido lugar.
Os pelourinhos são, não o esqueçam, os símbolos do poder local, do municipalismo em Portugal. E contra isso não há arbustos nem arquitectos-paisagistas que lhe valham...
Mário Mendes - Nov. 2008