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domingo, 7 de agosto de 2016

MEMÓRIA: Evocação de Diogo Pires Mimoso

DIOGO PIRES,..HONRA E GLÓRIA PARA NISA,... UM NISENSE BEATIFICADO SANTO E MÁRTIR, santificado seja para sempre o seu nome; da necessidade de celebrar e venerar a sua memória a 17 de Julho de cada ano.... "A oração. é o modo do ser humano franquear as fronteiras da sua humanidade para entrar, de algum modo no domínio do divino”, cfr frei Herculano Alves in "Bíblica", ano 57, Julho/Agosto, nº 335, pg. 26.)
A evangelização do Brasil levou os Jesuítas em 1570 a organizar um grupo de missionação e evangelização.
Compunham um grupo de 40 jesuítas (jovens entre 20 e 30 anos), 32 portugueses e oito espanhóis, destinados à missão, 2 eram sacerdotes, dois diáconos, 23 estudantes e catorze irmãos, sob a liderança do padre Inácio de Azevedo.
A preparação dos missionários, padres, irmãos e estudantes para a missão de evangelização realizou-se na Costa da Caparica (Portugal), na Quinta do Vale do Rosal., hoje Quinta dos Quarenta Mártires (...e porque não aproveitar a estada na Costa da Caparica para uma romagem de homenagem e veneração emocionante à memória deste santo mártir de Nisa ,e ajoelhar perante tanta luz profunda, mesmo sem entender).
Roçando a ilha da Madeira , a 12 de Junho de 1570, para consertar as embarcações, descansar e recolher mantimentos, seguiram na nau Santiago 39 companheiros com Inácio de Azevedo.
Ao cabo de alguns dias de viagem, era o dia 15 de Julho de 1570, faz agora precisamente 441 anos, “davam já a volta para a cidade da Palma, de que distavam duas ou três léguas”.
A pouca distância de Tazacorte ( La Palma) avistaram a vela de uma grande nau e depois mais três, de modo que, inicialmente, chegaram a pensar tratar-se da armada de D. Luís de Vasconcellos, mas tal não se veio a confirmar.
Foram surpreendidos por um navio francês comandado pelo calvinista Jacques Sourie.
Os calvinistas abordaram a nau com enorme alarido, praguejando e ameaçando de morte os missionários.
Como referido tratava-se de Jacques de Sória, corsário calvinista francês, conhecido pelo seu ódio de morte aos católicos e entre estes, muito especialmente, aos jesuítas.
Acompanhavam Sória perto de meio milhar de soldados, todos eles animados pelo mesmo furor contra a igreja e fé católicas.
Seguiu-se grande carnificina e ordens para lançar ao mar os sagrados mártires.
Cumpre pois divulgar a vida e história desses mártires, e nomeadamente do nisense Diogo Pires, convidando-se os jovens das áreas científicas competentes a embrenharem-se na respectiva investigação histórica e correlatas, elegendo em concreto a história do percurso pessoal deste jovem e projectando a imagem do santo mártir.
Beatificados pelo Papa Pio XI, em 11 de Maio de 1854, as actividades desenvolvidas na causa da canonização não deixarão de trazer grande contributo a trabalho rigoroso sobre o nosso santo conterrâneo, sujeito a tão grande martírio.
A festa litúrgica destes mártires é celebrada em 17 de Julho , como acima.
Honra e glória pois para Nisa ao ter no seu universo e seio espiritual ,moral ,social e ,religioso, quem tão generosamente partira para afinal tão grande martírio, mas para lograr chegar ainda jovem...tão alto ...à glória dos altares, patamar que acolhe e confirma a aquisição do glorioso e definitivo título de Filho de Deus.
Santificado seja pois para sempre o seu nome.
Todos foram ali mortos e feridos, à excepção do irmão João Sanches, que os calvinistas aproveitaram para cozinheiro.
Todos foram lançados ao mar, uns já mortos, outros em agonia e outros ainda vivos.


Lista dos mártires:1. Inácio de Azevedo, padre português e líder da missão (n. Porto, Portugal),2. Diogo de Andrade, padre, (n. Pedrógão Grande, Portugal),3. Bento de Castro, irmão, estudante (n. Chacim, Macedo de Cavaleiros, Portugal),4. António Soares, irmão, estudante (n. Trancoso da Beira, Portugal),5. Manuel Álvares, irmão, coadjutor (n. Estremoz, Portugal),6. Francisco Álvares, irmão, coadjutor (n. Covilhã, Portugal),7. Domingos Fernandes , irmão, estudante (n. Borba, Portugal),8. João Fernandes, irmão, estudante (n. Braga, Portugal).9. João Fernandes, irmão, estudante (n. Lisboa, Portugal),10. António Correia, irmão, estudante (n. Porto, Portugal),11. Francisco de Magalhães, irmão, estudante (n. Alcácer do Sal, Portugal),12. Marcos Caldeira, irmão, (n. Vila da Feira, Portugal),13. Amaro Vaz, irmão, coadjutor (n. Benviver, Marco de Canavezes, Portugal),14. Juan de Mayorga, irmão, coadjutor (n. Saint-Jean-Pied-de-Port, Navarra, hoje França),15. Alonso de Baena, irmão, coadjutor (n. Villatobas, Toledo, Espanha),16. Esteban de Zuraire, irmão, coadjutor (n. Amescoa, Biscaia, Espanha),17. Juan de San Martín, irmão, estudante (n. Yuncos, Toledo, Espanha),18. Juan de Zafra, irmão, coadjutor (n. Jerez de Badajoz, Espanha),19. Francisco Pérez Godói, irmão, estudante (n. Torrijos, Toledo, Espanha),20. Gregório Escribano, irmão, coadjutor (n. Viguera, Logroño, Espanha),21. Fernán Sanchez, irmão, estudante (n.Castela a Velha, Espanha),22. Gonçalo Henriques, irmão, estudante (n. Porto, Portugal),23. Álvaro Mendes Borralho, irmão, estudante (N. Elvas, Portugal),24. Pero Nunes, irmão, estudante (n. Fronteira, Portugal),25. Manuel Rodrigues, irmão, estudante (n. Alcochete, Portugal),26. Nicolau Diniz, irmão, estudante (n. Bragança, Portugal),27. Luís Correia, irmão, estudante (n. Évora, Portugal),28. Diogo Pires (Mimoso), irmão, estudante (n. Nisa, Portugal),29. Aleixo Delgado, irmão, estudante (n. Elvas, Portugal),30. Brás Ribeiro, irmão, coadjutor (n. Braga, Portugal),31. Luís Rodrigues, irmão, estudante (n. Évora, Portugal),32. André Gonçalves, irmão, estudante (n. Viana do Alentejo, Portugal),33. Gaspar Álvares, irmão, estudante (n. Porto, Portugal),34. Manuel Fernandes, irmão, estudante (n. Celorico da Beira, Portugal),35. Manuel Pacheco, irmão, estudante (n. Ceuta, Espanha),36. Pedro Fontoura, irmão, coadjutor (n. Chaves, Portugal),37. António Fernandes, irmão, coadjutor (n. Montemor-o-Novo, Portugal),38. Simão da Costa, irmão, coadjutor (n. Porto, Portugal),39. Simão Lopes, irmão, estudante (n. Ourém, Portugal),40. João Adaucto, acompanhante (n. Entre Douro e Minho, Portugal),Não possui Nisa infelizmente qualquer imagem deste santo mártir.
Refere-se-lhe respeitosamente um nosso ilustre e piedoso conterrâneo, e santo pároco ,que o foi da Costa da Caparica , Padre Baltasar Dinis, tido por aquela comunidade como saudoso pároco, em carta escrita em
25 de Julho de 1939 ,um nome também a fixar desse rico universo cultural e espiritual e moral de Nisa.
Não tenho dados para por ex. bordar a ouro o retrato de D. Ana uma vez que pouco privei pessoalmente com a Senhora ( embora a adorasse), mas sei que num encontro de viúvas minha mãe, a minha querida, no seu sentido de justiça que lhe era peculiar, ao cumprimentá-la nesse encontro, lhe terá dito...não sou nada comparando-me com a senhora... a senhora é da Acção Católica, mas da Autêntica,.. da Verdadeira, e a D. Ana ( Machado ) na sua simpática e serena simplicidade ter-lhe-à dito...D. Maria Augusta não é bem assim,..... abraçaram-se e choraram naquela solene reunião).
E ainda há quem pense que não?
Não digas não, diz sim...porque estamos em Nisa (e a Nisa ...”eu iria arrancar estrelas/ delas fazia um colar/ para te por ao pescoço...Se num perfeito segundo/ o sol fosse apenas meu/ eu dava-Te o sol também/ arrefeceria o mundo /mas o sol seria Teu/ Teu e de mais ninguém. “ in Omnipotência, Manuel de Almeida , Fado) e Alto Alentejo, terra sagrada.
João Castanho - 11 de dezembro de 2013

sexta-feira, 29 de julho de 2016

OPINIÃO: A inigualável gente da minha terra

ADENTRANDO O DIA DE TODOS OS SANTOS… ESTA INIGUALÁVEL, QUERIDA GENTE DA MINHA TERRA, CUJO EXEMPLO DE VIDA NÃO PODEMOS IGNORAR…
A MINHA VIZINHA MARIA DA SILVA ERA UMA HEROÍNA. TENHO POR CERTO QUE NO LADO DE LÁ SERÁ RECOMPENSADA. A ANA MARIA, A MAIS PEQUENINA DAS SUAS DUAS FILHAS COM A ISABEL… A NOTÍCIA POSTERIOR DO TEU DESENLACE FÍSICO... MINHA QUERIDA AMIGA AMARGUROU-ME, PELO SOFRIMENTO POR QUE PASSASTE E POR NÃO TE TER PODIDO ACOMPANHAR …ESTAR…
QUANTO TE ESTIMO ...QUANTO TE ADMIRO... COMO ADMIRAVA O TEU EXEMPLO DE VIDA!…O TEU SOFRIMENTO FÍSICO…TANTO SOFRIMENTO … SENHOR... SENHORA DA GRAÇA!
Ao tempo a minha casa, naquele período ante Páscoa, adentrava uma costureira amiga, dedicada e competente, levada pela Vizinha Maria da Silva, uma óptima pessoa e costureira que executava tudo na perfeição, que preparava os vestidos de anjo das meninas para a Procissão dos Passos, e outro vestuário.
A  vizinha Maria não tinha ainda realizado as obras que se seguiram.
Reinava a alegria na minha casa. Minha mãe não migava sopas….Vizinha Maria Augusta! Tem lá a sua máquina ou leva-se lá a minha? A minha casa com o negócio não convém.
Vizinha  Maria Augusta o que é que diz? Maria, isso é problema?
Aliás não  era preciso pedir a minha mãe, tudo o que a vizinha Maria decidia estava bem decidido e não se fala mais nisso. A vizinha era um impulso da natureza e planificava coisas com o maior à vontade de gestão.
A vizinha Maria era como se fosse da casa e o vai-vem das meninas era uma festa. Contínua.
A vizinha Maria era um ser magnífico. Se jogasse futebol dir-se-ia um falso lento.
Como a sua vida era pesadíssima, esses momentos de aparente paragem serviam –lhe para racionalizar estratégias e acções, traçar objectivos que ia discernindo.
Em minha casa era  tudo… gozava, privilegiava a nossa total familiaridade, as portas estavam – lhe totalmente abertas e sem qualquer reserva.
Nesse período reinava a alegria, a Ana Maria e a Isabel entravam e saíam e tudo eram risos com as suas presenças constantes.
A Ana  Maria a pronunciar Vião em vez de João, e outras palavras engraçadas. A vizinha Maria era acolhida por minha mãe com o maior dos carinhos, e quando o Senhor António infelizmente partiu tão cedo minha mãe temeu pela sua depressão, não a largou e reergueu-a… Maria, não te isoles nessa tristeza! Tu és tão corajosa… A vida continua, olha  as tuas filhas tão lindas, anda lá…vamos lá.!
E assim foi! …
E renasce uma pessoa invulgarmente trabalhadora, mãe de filhas tão lindas, em grande plano na luta pela vida..
Exemplo para nós….A vizinha Maria, como dito em título, era uma heroína … e as suas filhas valores fora do comum com alto sentido de responsabilidade.
As visitas constantes do Senhor Domingos e da avó das meninas, uma senhora muito calma, sublimavam a falta do Senhor António… A vizinha Maria e a nossa querida Ana Maria foram da maior caridade e desvelo para minha  mãe, apesar dos seus afazeres, ultrapassando critérios gerais de bondade, igualmente para mim, a maior paz e o seu repouso eterno.
Donde… moro sem casa em Nisa. Nisa e sua gente moram no meu coração, o meu coração é a  minha terra, a nossa gente na sua bondade sem limites, gente de paz, de misericórdia, de perdão, que Nossa Senhora  da Graça gravou em nós para sempre  .
De gente tão boa como a Maria Diniz. Os desenhos dos bordados da minha avó Josefa vou levar-tos como prenda e homenagem à beleza da tua arte, à beleza da tua bondade, do teu ser magnífico de mulher de Nisa, e tu que cantas tão bem  fazes tanta falta com o teu enorme valor  no coro da paróquia… Como a Senhora da Graça me parece confidenciar com o seu largo sorriso. Fazia-te tão bem…Serias ainda mais feliz!...
Porque não?
A  amizade certa do João Castanho

14 de novembro de 2013

sexta-feira, 10 de junho de 2016

JOSÉ LOPES CHAMBEL: Uma glória da Advocacia, viveu em Nisa

 JOSÉ CHAMBEL, nome profissional na OA: HONRA À SUA MEMÓRIA
Há poucos dias veio-me à memória a figura desse portento da advocacia, que viveu em Nisa, o Dr. José Lopes Chambel, ou Lopes Chambel para alguns, mas nome profissional na Ordem dos Advogados José Chambel, como era mais conhecido na barra.
Nasceu em 27 de Agosto de 1907 e faleceu após doença em 2 de Outubro de 1971.
Nomeado Delegado da Ordem dos Advogados na Comarca de Nisa em 10-1-1952.
Senhor de um saber profundo, de uma elegância e fino trato para todos, magistrados, funcionários, partes, testemunhas, Lopes Chambel ultrapassava com brilhantismo a figura normal de advogado, para se situar num plano superior dos deuses da advocacia, de uma simpatia, alegria e elegância no trato para com todos , mestre das instâncias... mas sempre preciso e inteligente e habilíssimo nas perguntas sabiamente dirigidas, sensato nos comentários , nas reclamações, com enorme delicadeza para com todos, devotando-lhe os magistrados o maior dos respeitos e admiração.
Detentor de forte simpatia pessoal quer em Nisa quer nas Comarcas onde fazia périplo com o Senhor Patrício, seu motorista na altura, Castelo Branco, Golegã, Castelo de Vide , e outras Comarcas para onde dera solicitado, por força do seu prestígio.
Foi por simpatia sua que nos transportou até Castelo Branco, teríamos 11 ou 12 anos, a uma consulta desse outro gigante em humanidade, e vulto da Medicina, o Senhor Dr. Afonso, oftalmologista, a bondade no atendimento, apesar já da sua doença, e depois o Senhor Campos, oculista Campos, outro homem de igual dimensão e igual bondade, pessoas que nos ficaram, e daí trouxemos o primeiro par de óculos, com o meu querido irmão António.
Lembro-me de ter prestado atenção ao estilo do Dr. Chambel, de certo modo deslumbrado com a sua natural empatia, como que expressando de forma natural a arte de bem conviver com todos, sendo o seu motorista , mais do que um trabalhador, um amigo pessoal.
Aliás meu irmão António refere que... em determinado julgamento, no Tribunal velho de Castelo Branco, o Colega da parte contrária se sentiu mal na barra, e o Dr. Chambel passou o dia em grande aflição que levou, transportou para o escritório, como se fosse, e era, um problema pessoal.
Esteve ligado segundo me dizem, e tenho isso impressivo na memória, a alguns grandes processos (por ex. creio que do sector das cortiças e outros) ombreando com outros vultos da advocacia, como Palma Carlos, sendo público o à vontade, domínio dos objectivos e liderança das situações e incidentes, com o público apreço mesmo das partes contrários e seus mandatários.
Igualmente interveniente na defesa das pessoas envolvidas na denominada greve do pão.
Um Distintíssimo Senhor igualmente em humanidade e grandeza de carácter.
Mais tarde, com a sua doença impressionava-me passar e ver na cadeira de rodas o Dr. Chambel, situação dolorosa para mim e que transmitia a minha mãe, ver assim um homem tão activo, e ele próprio nos via e gesticulava, o que era doloroso para nós.
Impôs-se-me assim recordar o nome e a memória desse gigante da advocacia portuguesa, era dado adquirido que se tratava de um profissional brilhante, mesmo fora de série, e ciente de que o auxílio imprescindível me viria de ti (apesar da dimensão em que estás, meu caro e bom Manuel - Manuel Sena, que o conheceste como poucos, meu grande e sincero amigo, e que essa informação me era indispensável, preciosa para homenagear com mais rigor e realce tal vulto tão brilhante de advogado, sob aspectos da vida forense e do escritório, que por certo com ele vivenciaste, e intimamente observaste nos teus anos no escritório, e de que falámos algumas vezes).
Mas logo se me aquietou o espírito, embora tenha consciência de não seja eu o mais digno e capaz para recordar tão elevada figura, mas que a tua bondade (... tão grande bondade que jamais esquecerei... meu bom Manuel ... me inspirará com a tua ajuda,... e o teu espírito transversal ao tempo me ajudará a “psicografar”, sem preconceitos, o dever deste testemunho, ou um texto minimamente digno da memória desse gigante dos Tribunais, da advocacia portuguesa, como jamais foi visto em poucos a esse tão elevado nível, e digno de repor a memória de alguém de plano superior na advocacia e no direito, como poucos alcançaram.
José Lopes Chambel ultrapassou, e esteve para além de um advogado comum , estava para além dos horizontes normais do dia a dia dos Tribunais do seu tempo, tecnicamente muito bom mas excepcional em processo, perfeito nas alegações, incisivo, porém educado e nobre nas instâncias em que era mestre e senhor, detentor do segredo da palavra certa e oportuna, ultrapassando com ligeireza patamares de alta exigência profissional e científica, apesar da elegância e simpatia que punha em tudo, sendo sua marca característica a anedota actualizada para descontrair , aliviar tensões, aproximar e convocar todos para um trabalho sereno e concentrado, advogados, partes contrárias, magistrados e funcionários, indispensável a boas e serenas decisões .
Com interesse ...” em 14 de Fevereiro de 1960: Dr.Manuel Flamino F.Martins, na passada segunda feira, realizou-se perante o Sr. Dr. José do Carmo, Conservador do Registo Civil de Castelo Branco, devido a encontrar-se doente o Sr.Dr. Alberto Franco Falcão, juiz substituto, o acto de posse do novo Juiz da nossa Comarca, Sr. Dr. Manuel Flamino Martins, que tem desempenhado as funções de Juiz Ajudante do Círculo Judicial de Castelo Branco.
Encontravam-se presentes no acto de posse, entre outras individualidades, os Srs. Dr. José Lopes Chambel, advogado, Moisés dos Santos Martins, estudante de Direito e irmão do empossado. (Creio que foi escrivão em Nisa e se terá formado ainda durante a sua actividade aí em Nisa, pelo menos é essa ideia que tenho).
No seu brilhante discurso o Sr. Dr. Juiz Flamino Martins referiu-se ao conceito de justiça e à dificuldade que muitas vezes surge na sua aplicação...
Ao novo Juiz da nossa Comarca, cujo valor intelectual e profissional há muito se impôs a todos que o conhecem, endereça o “Beira Baixa” as suas felicitações dom o desejo das maiores prosperidades no desempenho do seu novo cargo.”
Passava pois e muito por Castelo Branco, onde tinha escritório, o labutar deste senhor da advocacia, e seria certamente fácil colher testemunhos escritos sobre este Distinto Advogado, dos mais ilustres de Portugal, a quem nos cumpre rememorar tão Ilustre Memória.
Não recordar e honrar a memória de tal valor altíssimo e glória da advocacia portuguesa seria grave omissão do dever de respeito pela sua ilustríssima memória que aqui fica humilde, mas veneradamente respeitada, por um aliás humilde nisense.
Reproduz-se a seguir parte de decisão judicial (sentença) de um outro brilhante Juiz de direito na Comarca de Nisa, José dos Santos Silveira, e em que possivelmente o Exm.º Senhor Dr. José Chambel poderá ter intervindo: “Na presente acção ordinária, intentada pela Junta de Freguesia da Comenda contra a Firma Barreira e Companhia (Irmãos ) com sede em Lisboa, intervindo, por chamamento à autoria a sociedade inglesa, Henry Bucknall and Sons, Limited, com sede em Londres, as rés nas suas contestações, levantaram as seguintes questões:
1.º A nulidade da petição inicial, por ineptidão;----2.º A excepção da ilegitimidade da Autora;....3.º A excepção da ilegitimidade da Ré Barreiros ;...4.º A nulidade , quanto à petição inicial , por inobservância.........no que concerne ao pedido secundário; 5.º A excepção do caso julgado...6.º-A excepção peremptória de prescrição aquisitiva ou usucapião...............................
Entremos na apreciação das questões postas: 1.ª questão.... sabe-se o que pretende e porque pretende. Logo, não existe ineptidão. Pelo exposto se desatende arguida nulidade;2.ª questão, a questão deixou de subsistir, desde que a A. na sua réplica veio reduzir o pedido secundário, em virtude da excepção apresentada; 3.ª questão...Não tem razão a ré ... Entendemos que o domínio sobre os baldios pertence às entidades a que na lei se atribui a sua administração, pelas razões....; 4.ª questão...Sabe-se qual é o pedido e a causa de pedir....Não houve inobservância...e, por isso, se desatende a arguida nulidade; 5.ª questão...Entre a relação jurídica apreciada nas anteriores acções e a que é objecto da presente causa não há qualquer vínculo de dependência...Por tudo o que fica dito, se desatende a excepção do caso julgado;6.ª questão...A ré Bucknall exercia sobre as malhadas das Costas posse, não só por virtude do registo, mas ainda pela prática de actos de uso e fruição, pelo menos durante os meses de Outubro, Novembro e Dezembro, usufruindo o povo da Comenda os pastos e lande nos restantes meses do ano...Pelo exposto, se desatende a excepção de prescrição alegada pelas rés.....O direito de compáscuo do povo da Comenda, em relação às malhadas das Costas, a existir no momento em que o Código Civil entrou em vigor, teria sido abolido pelos mencionados artigos 2264.º e 2265.º. Atento o que foi resolvido no que concerne ao pedido principal, encontra-se prejudicada a questão relativa ao pedido acessório ou secundário dos frutos. Pelo exposto, improcedendo a acção, absolvem-se os réus dos pedidos.
Nisa , 9 de Julho de 1957 (a) José dos Santos Silveira).
E com esta luz resplandecente fecho a homenagem a tão brilhantíssimo senhor da advocacia portuguesa.
João Castanho - 25/11/2010