quinta-feira, 28 de julho de 2016

NISA: Liga dos Amigos do Centro de Saúde

 Porque “há gente que precisa de gente”
Sensibilizar e dinamizar a prática do voluntariado dirigido para acções concretas de ajuda aos utentes e doentes do Centro de Saúde foi o objectivo da criação da Liga de Amigos do Centro de Saúde de Nisa fundada em Maio de 1998.
Tendo como lema “há gente que precisa de gente”, os primeiros passos desta instituição humanitária foram no sentido de criação de um grupo de Voluntariado Adulto, com objectivo de humanizar e criar um bem estar no doente, sendo este sempre posto em primeiro lugar, prioridade justificada devido ao facto de Nisa ser um dos concelhos mais envelhecidos da Europa.
 Desde a sua criação, a Liga tem tido uma expansão aceitável e vem desempenhando um papel de relevo no apoios às actividades do Centro de Saúde, não apenas no apoio presencial aos utentes, mas também na aquisição de diversos equipamentos e reparações de algumas infra-estruturas, colmatando diversas carências que, pelos meios normais demorariam a ser resolvidas.
De acordo com António Grácio, presidente da direcção “ os nossos dois grupos de Voluntariado que neste momento existem (Adulto e Jovem) têm sido acolhidos pela população com carinho e admiração.”
O voluntariado é a base e razão da existência da Liga e António Grácio explica-nos como funcionam estes grupos.
“O Voluntariado adulto tem como objectivo distribuir uma pequena refeição a meio da manhã aos doentes que se encontram à espera da sua consulta. O Voluntariado jovem procura tornar o internamento mais acolhedor para o doente internado neste Centro de Saúde que funciona como Unidade de Cuidados Continuados (em parceria com os diversos Hospitais do Norte Alentejano) disponibilizando-se para fazer compras aos doentes, companhia e sobretudo ajudam na distribuição das refeições.
Contamos ainda com outro tipo de actividades, tais como: comemoração do Dia do Voluntário, Festa de Natal para as Pessoas que vivem sozinhas, Dia de Natal, Dia do Doente, etc.
Vivemos num meio bastante isolado e tentamos que os adultos olhem para o doente com mais admiração, compreensão, respeito e carinho, e que os Jovens entendam que a vida não é só facilidades. Com bastante alegria eles transmitem uma outra vida aos doentes, que por vezes ficam grandes períodos de tempo internados e com as visitas pouco frequentes da parte dos familiares. Temos como objectivo humanizar e sensibilizar para um mundo melhor.”
Noticia publicada em 23/8/2007

terça-feira, 19 de julho de 2016

Clarinetista nisense ensina nos EUA

Carlos Alves é professor convidado em universidade americana
Gravou pela segunda vez um CD com o pianista brasileiro Caio Pagano, que conheceu há anos em Castelo Branco. Alentejano de Nisa, Carlos Alves é um dos clarinetistas principais da Orquestra Nacional do Porto e também um professor nos Estados Unidos.
"O Mozart era um génio. Nós somos normais, mas também fazemos algumas coisas especiais". As palavras são de quem começou a dar aulas aos 16 anos e, mais tarde, teve de competir com músicos estrangeiros para conquistar um dos lugares de solista na Orquestra Nacional do Porto (ONP). Instrumento: clarinete. Aos 37 anos, Carlos Alves é, também, um português que lecciona na Universidade do Estado do Arizona, nos EUA.
Chegou lá pela mão de Caio Pagano, pianista que foi colaborador de Maria João Pires no projecto de Belgais. Carlos estudava em Castelo Branco e teve Pagano como júri nas provas públicas. Seguiu-se a gravação de um disco em conjunto, "Contrastes de Bartók", e, recentemente, o convite para orientar "masterclasses" na universidade em que o músico brasileiro é catedrático.
Além de professor, Carlos Alves é artista convidado da instituição e, num dos recitais em que tocou no ano passado, foi descoberto por uma editora norte-americana. Assim se chegou à segunda parceria discográfica com Caio Pagano. O CD tem como título "Recital in the West", estando o concerto de lançamento agendado para o próximo dia 28, no Katzin Hall, em Phoenix, a capital do estado que alberga o gigantesco desfiladeiro Grand Canyon.
Muito sumariada, esta é a história de um instrumentista que nasceu em Nisa, distrito de Portalegre, e levou os estudos até Versailles (França), antes de ser um dos clarinetistas principais da ONP. E como é que tudo começou? "Fui empurrado para o clarinete. Depois, fui ficando e gostei. Como qualquer criança, queria instrumentos mais conhecidos, como o saxofone e a trompete", explica-nos.
Hoje, Carlos Alves diz que há uma "identificação muito pessoal" com o instrumento, que não trocaria por outro: "Nunca volto atrás no que faço". E acrescenta que, "em termos técnicos, o clarinete é dos instrumentos mais virtuosos", além de exigir mais leitura do que outros numa orquestra.
O músico acaba por reconhecer que é "prestigiante" a condição de português a dar aulas nos Estados Unidos, onde o nível de clarinete, em ensino e prática, é "muito alto". Mas logo adverte: "Não é muito diferente de Portugal, porque o nível, neste momento, também é muito alto. Portugal é um país extremamente forte no contexto internacional. E muito respeitado". A propósito, remata: "Está na altura, se calhar, de começarmos a exportar alguns dos nossos melhores instrumentistas".
As idas de Carlos Alves aos Estados Unidos começaram em 2009 e prolongam-se por este ano. De três em três meses. Em Portugal, o músico divide o tempo entre concertos pela ONP e aulas em Castelo Branco. E já actuou em peças de teatro.

Isabel Peixoto in “Jornal de Notícias” - Janeiro 2010

João Gomes Esteves recebe "Medalha de Ouro" da AIP

João José Correia Gomes Esteves, 1º Vice-Presidente da CEP – Confederação Empresarial de Portugal, foi agraciado com a Medalha de Ouro da AIP – Associação Industrial Portuguesa – Câmara de Comércio e Indústria, pelo "grande contributo e dedicação que tem prestado à vida empresarial e à sociedade portuguesa", como frisou o Presidente Jorge Rocha de Matos na cerimónia comemorativa dos 174 anos da AIP, realizada no passado dia 28 de Janeiro, em Lisboa.
"Tem dado enormes e valiosos contributos para o associativismo empresarial, especialmente como membro da direcção da AIP e de outras importantes associações, como a CIP, a APIFARMA, a Câmara de Comércio Luso - Americana, e também, recentemente como mentor e presidente da Comissão Instaladora que acaba de conduzir à criação da nova CIP – Confederação Empresarial de Portugal" – destacou Jorge Rocha de Matos na apresentação do homenageado, que recebeu a "Medalha de Ouro da AIP-CCI".
Persistente nos seus objectivos, João Gomes Esteves "tem desenvolvido uma missão de capital importância no apoio institucional às empresas, quer através das suas intervenções a nível nacional quer como dirigente em organismos internacionais como a BUSINESSEUROPE, a European Federation of Pharmaceutical Manufactures & Associations, entre outras".
João Gomes Esteves, que dedicou grande parte da sua vida ao associativismo e à defesa das causas da sociedade civil, desempenhou cargos da maior relevância, que resultam do prestígio que lhe é reconhecido e da sua capacidade de liderança, gerando consensos e contribuindo para o esforço colectivo de valorização dos ideais que defende.
No recente processo de constituição da Confederação Empresarial de Portugal, que resulta da integração das componentes institucionais da AEP – Associação Empresarial de Portugal e da AIP-CE – Associação Industrial Portuguesa – Confederação Empresarial na CIP – Confederação da Indústria Portuguesa, João Gomes Esteves desempenhou com grande competência um papel da maior importância, tendo sido o Presidente da sua Comissão Instaladora.
Tendo assumido essa responsabilidade em finais de 2009, João Gomes Esteves conduziu os entendimentos que levaram a que, depois de mais de duas décadas de tentativas não sucedidas para constituição de uma cúpula do associativismo empresarial, tivesse sido possível assinar em Junho de 2010 um acordo entre a AEP, a AIP e a CIP de que resultaria a constituição da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, cujos estatutos foram aprovados em Julho de 2010 e que elegeu os seus primeiros Corpos Sociais no início de Janeiro passado.
Segundo João Gomes Esteves, a atribuição da Medalha de Ouro da AIP "representa somente o reconhecimento da relevância do trabalho desenvolvido na defesa dos interesses das empresas no quadro do associativismo de cúpula", mas é, acima de tudo – acrescentou – "um incentivo a que os passos que foram dados no passado estimulem os que agora foram eleitos para, como pioneiros, desbravarem o caminho que há a percorrer para a consolidação do associativismo empresarial em Portugal".
O homenageado, actualmente 1º Vice-Presidente da CIP e Vice-Presidente da AIP, é Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Ordem dos Médicos Veterinários e da mesa da Assembleia Geral da Associação dos Antigos Alunos de Medicina Veterinária de Lisboa; membro do Conselho Geral da Universidade Técnica de Lisboa, da Comissão de Redacção dos Estatutos da Faculdade de Medicina Veterinária da UTL e da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.
O contributo de João Gomes Esteves à causa associativa estende-se a outras organizações da sociedade civil: curador da Fundação AFID – Associação Nacional de Famílias para a Integração de Pessoas Deficientes; membro da Associação Nisa Viva, fundador e dinamizador da primeira fundação na área da indústria farmacêutica em Portugal, a Fundação Merck Sharp & Dohme; membro do conselho geral da Fundação Portuguesa de Cardiologia e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Valormed.
A importância que sempre atribuiu à formação empresarial especializada levou-o a tornar-se bolseiro da OCDE e a cursar, depois, no INSEAD-Fontainebleau, na AESE-Lisboa, em Oxford-Reino Unido, em Columbia-EUA.
João Gomes Esteves: Um percurso notável
João José Correia Gomes Esteves nasceu em Nisa, a 22 de Janeiro de 1944, tem hoje 67 anos. Ainda em criança partiu para Marvão, vila onde ainda hoje tem uma casa que visita frequentemente. Ali cumpriu o Ensino Primário. Já em Portalegre, passou pelo Colégio de Santo António e pelo antigo Liceu, onde concluiu o antigo 7º ano, hoje 12º.
Pouco depois, o jovem Gomes Esteves rumou para Lisboa, onde foi bolseiro da OCDE e onde se formou em medicina veterinária, profissão que nunca viria a desempenhar.
Sucederam-se então múltiplas formações e pós-graduações nas áreas de gestão, e administração e finanças, muitas delas realizadas no estrangeiro (França, Inglaterra, Estados Unidos).
Em pouco tempo, Gomes Esteves passou de director dos serviços do Instituto Nacional de Investigação Industrial a director e presidente do Grupo Merck Sharp & Dohme, um cargo que implicou um grande sentido de missão não só nacional, mas também internacional.
No que respeita ao associativismo, também cedo começou a dar os primeiros passos. Logo na faculdade, foi presidente da Associação de Estudantes e, nos anos 80, Gomes Esteves começou a presidir a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), onde ainda hoje preside a Mesa da Assembleia.
Foi vice-presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) e é hoje 1º vice-presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CEP), tendo sido o presidente da sua Comissão Instaladora.
Texto e fotos in "Fonte Nova" - 22/2/11

sexta-feira, 15 de julho de 2016

À FLOR DA PELE: Homenagem singela a José Curado Lopes da Silva

Partiu recentemente do nosso convívio, esta figura veneranda da cidade de Portalegre, de Nisa – terra onde nasceu há quase 100 anos – e do Norte Alentejano.
O texto que se publica é uma homenagem singela a um “homem do século” e cidadão do mundo, figura simples, trato afável e conversador nato. Com ele, o tempo passava veloz e ficava sempre a sensação de termos aprendido mais alguma coisa.
Reconhecido pela sua amizade, deixo expresso à família, sentidas condolências e a certeza de que Curado da Silva à imagem de Pablo Neruda poderia dizer: Confesso que vivi!
Mário Mendes
OS CASAMENTOS DE OUTRORA NA NOSSA TERRA (*)
- Curado da Silva
(...) Vejamos como eu vi na minha infância e alguns anos depois, os casamentos na nossa terra, porventura muito diferentes dos de hoje.
Os convites e as prendas
Aprazada a data do casamento, faziam-se os habituais convites, sempre na ordem de algumas dezenas nas classes mais pobres e de algumas centenas nas mais abastadas.
Muito curioso o facto de, ao contrário do que acontecia em qualquer outra parte, as prendas oferecidas aos noivos não serem constituídas por quaisquer objectos, mas antes por cereais, trigo ou centeio, um alqueire (15 litros) ou pelo seu valor em dinheiro, prendas a que se dava o nome de "serviço".
O local da boda (Quintal da Festa)
Dois os locais da boda: para os convidados em geral, um quintal amplo, devidamente atapetado com fetos ou juncos, para evitar o pó. A este quintal se dava o nome de "Quintal da Festa" no decorrer dos dias da boda. Neste quintal se abatia o gado, cabritos e borregos, se cozinhava em grande caçarolas de barro, assentes sobre pedras colocadas paralelamente a fazer de fornalha, junto de uma parede, quintal em que também se comia e confraternizava.
As mesas, sempre muito longas, eram por vezes formadas por escadas de mão assentes nos extremos sobre grandes pedras ou madeiros, com tábuas por cima, sobre as quais se estendiam as toalhas.
O outro local da boda, o da chamada "mesa grave", era em casa dos pais de um dos noivos ou já na futura residência dos mesmos. Nesta mesa apenas tinham assento os nubentes, seus pais e irmãos, os padrinhos e alguns parentes ou pessoas mais íntimas.
A ementa
 Muito curiosa e original ela era. Na véspera do casamento, ao almoço, batatas ou feijão frade, guisados, e ao jantar grão de bico ou feijão de cor guisados também.
No dia do casamento ao almoço, as conhecidas sopas de sarapatel, manjar feito com o fígado, bofe, coração e sangue dos cabritos e borregos.
Ao jantar, as chamadas sopas de afogado, prato a que também se dá o nome de ensopado mas, neste caso, não com batatas mas antes com grandes sopas de pão sobre as quais se deita o caldo e a carne.
Todas as referidas refeições eram servidas no quintal da festa em grandes bacias de louça colocadas sobre as mesa, distanciadas umas das outras de forma a que, de cada uma delas, pudessem comer grupos de quatro a seis pessoas.
Uma pessoa se encarregava de servir o vinho, em volta da mesa, bebendo todos pelo mesmo copo. Também muito curioso o facto de os convidados, os do quintal da festa, terem de levar o respectivo talher, aliás uma colher apenas. Na chamada "mesa grave" outros pratos podiam ser servidos para além dos atrás enunciados.
Quanto a bolos, doces, e algumas bebidas, ausentes do quintal da festa, eram servidos na mesa grave, mas em geral antes e depois do casamento em casa dos pais dos noivos.
As vestes dos noivos
O noivo envergava um fato normal que apenas poderia ser diferente nos casos de se tratar de um trabalhador do campo ou de um dos chamados artistas, isto é, de qualquer outra profissão que não a do campo.
Quanto às noivas, não envergavam elas o tradicional vestido branco nem o véu com flor de laranjeira, o que aliás não significava que fossem menos puras que a de outras terras, ostentando tais símbolos de virgindade.
O traje de então era constituído por saia rodada ou plissada, blusa (ou roupinha), lenço estampado ao pescoço e um grande xaile não preto, com grossas e compridas franjas. Em tempos mais recuados, porém, as noivas apresentavam-se totalmente de preto, com saia, blusa e mantilha.
A cama dos noivos
Uma grande excentricidade neste aspecto. Na véspera do casamento a cama era feita com todos os lençóis, colchas e cobertores do enxoval da noiva e exposta para quantos (ou melhor, para quantas...) a quisessem apreciar. Duas pessoas, que podiam ser a noiva e uma das madrinhas, se encarregavam, uma à cabeceira e a outra aos pés da cama, de mostrar e contar todas as peças que a compunham.
Mas ainda outra excentricidade, esta bastante insólita, a registar neste capítulo: na primeira noite os noivos dormiam no chão, em improvisada cama. Isto porque a primeira ainda se encontrava feita, como na véspera, com todos os lençóis, cobertores e colchas do enxoval da noiva. A propósito disto não fujo à tentação de narrar um pequeno episódio passado com um casal conhecido e amigo e que os próprios com muita graça contavam.
Na noite do casamento estavam dormindo sossegadamente (no chão, claro...) quando, de súbito, se desprende da parece um grande tacho metálico, o qual, caindo em cima da cabeça do noivo, lhe provocou um grande galo na testa. No dia seguinte, (era de esperar...) tiveram os noivos grande dificuldade em fazer-se acreditar sobre o que na realidade se havia passado, sendo por isso alvos, por parte de alguns convidados mais galhofeiros, de inofensivos mas espirituosos comentários.
O destino do enxoval da noiva
Ao contrário do que acontecia em qualquer outro ponto do país, as noivas de Nisa desfaziam-se de grande parte do enxoval após o casamento. Era adquirido, por futuras candidatas a noivas, as quais, por sua vez, chegada a sua altura, procediam de igual modo. Assim, muitas das peças vistas em determinado casamento, já haviam sido vistas em casamentos anteriores.
Não se julgue, porém, que a alienação de tais bens era feita de ânimo leve e portanto sem qualquer finalidade. O dinheiro apurado, somado com o das prendas, era de imediato investido na construção da sua casa, importância que, aliás, por vezes apenas dava para levantar as quatro paredes e pôr-lhes o telhado em cima. Mas era um bom princípio. O resto, com muitos sacrifícios, viria (e vinha mesmo) mais tarde.
Como seria diferente o problema da habitação em Portugal se todos os jovens portugueses tivessem igual espírito de sacrifício.
Mal os noivos adormecem,
São forçados a acordar
Por um grupo de amigos
Que à porta lhes vai cantar
* O espaço temporal deste artigo de Curado da Silva, refere-se à década de 20 do século passado.
O Descante
Entende-se, na terminologia popular de Nisa, que o descante é um canto de homenagem aos noivos, de louvor ao casamento e de felicitações para a vida futura.
É um costume muito antigo, em Nisa, diríamos, mesmo original e a ele faz referência o Dr. Motta e Moura, na sua Memória de Nisa. As quadras que seguem são da autoria de Maria da Graça Pinto e foram cantadas num casamento (descante) ocorrido nos anos 60, do século passado.
O Descante (num casamento dos anos 60) *
Adeus Maria Isabel
Parabéns te venho dar
Deus queira que teu marido
Sempre te saiba estimar

Isabel, hoje já és noiva
Já chegou hoje o teu dia
Deus queira que no teu lar
Sempre se encontre alegria

O teu vestido de noiva
Tão branquinho como a prata!
Já puseste a mão em cruz
Só por morte se desata.

Isabel, o teu marido
Dizem que é boa pessoa
Leva-te daqui p´ra fora
Vão viver para Lisboa.

Cá deixas os teus paizinhos
A estranhar a companhia
Vais nova vida tomar
Deus te dê sempre alegria

Tens sido boa menina
Com boa disposição;
António é teu marido
Já lhe deste a tua mão.

Tanta gente a acompanhar-te,
A comer, com apetite
Tudo alegre e satisfeito
Isto assim é que é bonito.

Adeus António da Cruz
Deus te dê felicidade;
Isabel é tua mulher,
Ama-te com lealdade.

António, repara bem
No que te estou a dizer
Faz um lindo casamento,
Estima a tua mulher.

António, estás no teu dia,
Um dia tão desejado
Segue sempre bom caminho,
Que já és um homem casado.

António, já hoje é tua
A mulher que mais amavas;
Vai correndo p´ra seis anos
Que já tu a namoravas.

Deus queira que o bem-querer
Aumente cada vez mais;
Um casamento bonito
É alegria dos pais.

Tens uma casa tão linda,
Com tanta coisa bonita
Deus te dê saúde e sorte
E muitos anos de vida.

Vim aqui incomodar-vos,
Desculpem esta maçada.
Se não quiserem dar vinho,
Dêem uma cigarrada.

Acabados o descante,
Vai-se o noivo levantar
Pra copinhos de licor
E bolos a todos dar.
* tá Mari Pinto (poeta popular, falecida)
Mário Mendes - À Flor da Pele - Alto Alentejo - 8/11/2011

Duas artesãs de Nisa concorrem ao Prémio Nacional de Artesanato 2009 - "Fios, Teias e Tecidos"

Dois trabalhos de artesãs nisenses, Antónia Carita Dinis Polido e Maria da Conceição Moura Marzia, disputam o Prémio Nacional de Artesanato 2009 que será atribuído durante a FIA - Feira Internacional de Artesanato que decorre de 27 de Junho 5 de Julho em Lisboa, na FIL – Parque das Nações e que este ano foi dedicado ao tema “Fios, Teias e Tecidos”.
As duas artesãs de Nisa integram o grupo de oito dos concorrentes que venceram a fase regional do Alentejo do “Prémio Nacional de Artesanato” tendo sido contempladas com um prémio pecuniário de 250 euros.
Instituído pelo do Ministério do Trabalho e da Solidariedade, através do Instituto do Emprego e Formação Profissional, o Prémio Nacional de Artesanato 2009 pretende distinguir os artesãos que prosseguem ou iniciam a actividade artesanal, privilegiando a sua capacidade criadora e inovadora, assumindo-se igualmente como um factor de valorização social e profissional de todos os artesãos.
O Prémio subdivide-se nas categorias de Artesanato Tradicional e Artesanato Moderno. Na categoria de artesanato tradicional são consideradas peças que apresentam cunho tradicional, nos aspectos estéticos e culturais e que não incorporem materiais ou processos que desvirtuem a qualidade do produto artesanal. Na categoria de artesanato moderno é admitida e encorajada a inovação do design dos produtos e dos materiais utilizados, desde que sejam respeitadas as exigências ambientais, não sendo admitidas peças que incorporem utilização de máquinas que desvirtuem a qualidade do produto artesanal.
A Câmara Municipal de Nisa divulgou junto dos artesãos do concelho os objectivos e regulamentos do Prémio e apoiou a apresentação de candidaturas junto da Delegação Regional do Alentejo do IEFP.
Na fase regional foram seleccionados trabalhos das artesãs Maria da Conceição Marzia que concorreu com uma colcha de arte aplicada pregada a ponto de grilhão e de Antónia Polido que apresentou a concurso um cobertor bordado a ponto de cadeia também designado como coberjão. Ambas viram os seus trabalhos serem seleccionadas para o concurso nacional e serem expostos na Feira Internacional de Artesanato, a decorrer na FIL até 5 de Julho. Nessa altura se saberá se o júri do concurso contemplou alguns dos trabalhos e a criatividade das artesãs nisenses.
O artesanato de Nisa é amplamente reconhecido pela sua beleza, genuinidade e características próprias. A sua qualidade tem sido consagrada nas sucessivas edições do Prémio Nacional de Artesanato. Peças do artesanato nisense foram regularmente seleccionadas para a fase nacional e em 2003 foi atribuído o 1º Prémio a uma obra do oleiro António Louro.
A decisão sobre os vencedores do Prémio Nacional de Artesanato será dada a conhecer no dia 4 de Julho, na FIA.
Notícia de 30/6/2009

quarta-feira, 13 de julho de 2016

PONTÁ BITÉFES: O nosso Cine Teatro

O Cine Teatro de Nisa completou, o ano passado, 75 anos de existência. Pouca gente deu pelo facto e disso não veio grande mal ao mundo. Mas a história do grande e vetusto edifício merece ser contada e conhecida de todos os nisenses, nem que seja para o apontar como exemplo - raro, na nossa terra - de bairrismo e de congregação de esforços para a prossecução de um objectivo comum. Este, em Nisa, chamou-se Teatro, Cinema e Cultura.
A história dos últimos dez anos do Cine Teatro, ou seja, após a sua remodelação, concluída em 1997, vem profusamente descrita na Agenda Cultural do Município, relativa ao mês de Outubro. Para “retratar” dez anos (10 anos a viver cultura), faz-se uma viagem até à centúria de oitocentos e aos primórdios das representações teatrais em Nisa.
Tão extensa descrição, esquece, no entanto, que as obras de recuperação da grande sala de espectáculos da vila, teve como protagonistas um elenco camarário (da mesma “cor”, por sinal, do vigente) que não tratou, apenas, de reerguer um edifício em acelerado estado de agonia, mas, antes, teve de desencadear um processo, não menos complexo e dificultoso, para a cedência, a título precário, do imóvel.
As obras demoraram, choveram as críticas, inclusive, sobre a oportunidade do investimento, e de “fazer filhos em mulheres alheias”, como chegou a apontar-se em sessões da Assembleia Municipal.
Nisa ganhou uma sala de espectáculos, considerada uma das melhores do Alentejo. José Manuel Basso e os elencos camarários a que presidiu, foram os responsáveis pela obra, mérito que também deve ser extensivo aos dirigentes da Santa Casa da Misericórdia de Nisa que se esforçaram por tornar o sonho realidade.
Uns e outros, compreenderam, como Brecht que “não construíram Tebas, a das sete portas” e não quiseram, por isso, e como é “moda” actual, o seu nome numa qualquer placa de granito, a assinalar o feito. A obra teve técnicos, projectistas, operários, foram eles que fizeram a grande transformação do Cine Teatro.
Assinalar “dez anos a viver Cultura”, é elevar, com redobrado júbilo, a excelência de uma casa e de um equipamento cultural de que nos devemos orgulhar, mas não pode constituir um pretexto para “apagar” do rumo da história aqueles que, de forma directa ou indirecta, contribuíram, de modo substancial, para dar nova vida ao sonho inicial de José Vieira da Fonseca e de Manuel Granchinho.
Assinalemos, com orgulho e alegria, os 75 anos da inauguração e os 10 anos de remodelação do nosso Cine Teatro, mas é bom que não sejamos “mais papistas do que o papa”...
Mário Mendes - in "Jornal de Nisa" - 17/10/2007

HISTÓRIA: Nisa no roteiro dos castelos de Portugal

Descrição
A antiga fortaleza de Nisa, cuja construção se ficou a dever à Ordem dos Pobres Cavaleiros do Templo de Salomão, ditos Templários, teve um término de obras no ano de 1296. Hoje em dia, naturalmente, a modernidade açambarcou parte da grandiosidade de outrora, mas a aura misteriosa e de grande relevo histórico permaneceu, muito por obra da permanência dos frades da Ordem de Cristo que, deste local, extraíam imensos produtos, entre os quais se destacavam carne, vinho e cereais, por assim dizer ainda os três elementos mais famosos da região, no que ao comércio diz respeito. O que temos de visitável, no que ao castelo de Nisa diz respeito, é, basicamente, troços da antiga muralha fortificada, que jamais deixou os seus habitantes ficar em situação de aflição, sendo a barreira mais notória ante as investidas externas, assim como a magnífica Porta da Vila, que não nos cansámos de admirar, em arco de volta redonda e a Porta de Montalvão, perto de uma das torres na outra extremidade do monumento.
Outros motivos de interesse: Nisa é, por excelência, a terra do queijo homónimo, levando a que muitos visitantes aqui se desloquem com o intuito de adquirir essa bela iguaria, aproveitando, então, para degustar a carne alentejana, alimento de qualidade certificada, e provar os belos tintos da região. No campo arquitectónico, percorrer o interior das muralhas de Nisa é deparar com a história ao vivo, com realce para a Ermida de Nossa Senhora dos Prazeres, o Pelourinho local e a Igreja da Misericórdia.
Pedro Silva in www.ellibtrepensador.com - 26/2/2009
NOTA: O autor do texto, talvez por erro ou confusão, menciona a ermida da Senhora dos Prazeres no interior das muralhas, querendo referir-se, talvez, à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Graça.